A arrecadação de recursos

banner3Toda campanha, não importa quão pequena, precisa ter um Plano de Arrecadação que defina quanto dinheiro precisa ser levantado, quando esse dinheiro será necessário e como será arrecadado. Esse plano precisa estar definido antes do Candidato anunciar que vai concorrer.

Monte um Plano de Arrecadação

Uma campanha precisa de dinheiro para operar, mas conseguir as contribuições que vão financiar as atividades da campanha exige muito trabalho. Raro é o contribuinte que envia um cheque para a campanha sem ser solicitado. Uma arrecadação bem sucedida requer que a equipe em geral e o Candidato em particular dediquem-se ao planejamento e execução de um Plano de Arrecadação.

É claro que a maioria dos candidatos não gosta de arrecadar fundos. Sentem que está abaixo deles pedir dinheiro, ou não estão convencidos de que esta é a melhor coisa que podem fazer com seu tempo. Mas para poder fazer as coisas mais elevadas da campanha, como comícios, reuniões ou outros eventos, o Candidato deve passar boa parte de seu tempo arrecadando recursos.

O componente mais importante para o sucesso na arrecadação de recursos para uma campanha é um plano. Embora pareça simples – é só pedir dinheiro, não é? – uma campanha bem sucedida tem um Plano de Arrecadação que leva em conta a estratégia da campanha e seu orçamento geral. Supõe-se que o Candidato e sua equipe já mapearam o é preciso fazer para vencer. Agora, é necessário planejar o modo de alavancar recursos para as atividades que vão compor a campanha.

Embora o Plano de Arrecadação varie de acordo com a estratégia da campanha, vários componentes são fundamentais para qualquer plano, em qualquer pleito:

O Comitê Financeiro

“O comitê financeiro tem por atribuição arrecadar e aplicar os recursos de campanha, encaminhar aos candidatos os recibos eleitorais e fornecer-lhes orientação sobre os procedimentos de arrecadação e de aplicação de recursos e sobre as respectivas prestações de contas.” (Resolução N° 20.987)

O nome “Comitê Financeiro” pode ser enganador. Esse comitê não é responsável pela execução do Plano de Arrecadação – essa tarefa competirá ao Coordenador de Campanha, à equipe, à militância e, em campanhas maiores, ao Diretor de Arrecadação. No entanto, o Comitê Financeiro tem também o papel de providenciar contatos com potenciais contribuintes. Todos os membros do Comitê Financeiro devem ser apoiadores do Candidato com um amplo leque de relações que possam ser solicitadas a contribuir para a campanha.

Estratégia

O Plano de Arrecadação precisa incluir uma estratégia detalhada para alavancar recursos. Em outras palavras, deve responder à pergunta “De onde virá o dinheiro?” Respostas usuais a essa pergunta são solicitações diretas, eventos de campanha, serviço 900 e, é claro, o Comitê Financeiro.

Por determinação do TSE, o dinheiro só pode vir das seguintes origens:

I – recursos próprios dos candidatos;

II – doações financeiras ou estimáveis em dinheiro de pessoas físicas;

III – doações de outros partidos políticos e de outros candidatos;

IV – comercialização de bens e/ou serviços ou promoção de eventos de arrecadação realizados diretamente pelo candidato ou pelo partido político;

V – recursos próprios dos partidos políticos, desde que identificada a sua origem e que sejam provenientes:

  1. a) do Fundo Partidário;
  2. b) do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC);
  3. c) de doações de pessoas físicas efetuadas aos partidos políticos;
  4. d) de contribuição dos seus filiados;
  5. e) da comercialização de bens, serviços ou promoção de eventos de arrecadação;
  6. f) de rendimentos decorrentes da locação de bens próprios dos partidos políticos.

VI – rendimentos gerados pela aplicação de suas disponibilidades.

Cronograma

Ao mesmo tempo, o Plano de Arrecadação deve responder à pergunta “Quando vamos precisar de dinheiro?” Em geral, os fornecedores exigem pagamento à vista, devido ao caráter incerto da campanha. Assim, para imprimir um cartaz ou um santinho, a campanha necessita de recursos à mão. O Plano de Arrecadação, portanto, precisa levar em conta quando os esforços de comunicação terão lugar.

Exigências legais

O Tribunal Superior Eleitoral tem regras muito claras sobre a arrecadação de recursos para as campanhas eleitorais. Desobedece-las implica em severas sanções que podem ir de multas à cassação do registro do Candidato. Portanto, a responsabilidade do Comitê Financeiro quanto ao controle de receitas e despesas para a prestação de contas após a campanha é de suma importância.

Especial atenção deve ser dada aos Recibos Eleitorais, que documentam e validam todas as doações.

Promova um evento de arrecadação logo após o lançamento da candidatura

Um evento dessa espécie não só injeta recursos necessários à campanha incipiente como também põe em teste o aparelho de arrecadação e dá impulso à campanha.

Peça mais do que você acha que a pessoa pode dar

Se um doador diz “sim” ao primeiro pedido do Candidato, isso quer dizer que o Candidato pediu pouco (a menos que o pedido seja o máximo permitido pelo TSE). Antes de pedir a um doador potencial que contribua, é preciso estimar quanto se imagina que a pessoa possa dar. O Candidato deve então solicitar uma contribuição 20% maior do que a estimada. O doador normalmente vai oferecer uma quantia entre os dois valores.

Use redes de arrecadação

Há duas maneiras de conseguir que um doador contribua para a sua campanha: você pode pedir-lhe que contribua diretamente ou que peça a seus contatos que contribuam. O arrecadador bem sucedido faz ambas as coisas. A campanha deve encorajar os contribuintes a formar redes de arrecadação, em que os doadores peçam a amigos e relações que contribuam para a campanha.

Peça de novo

Os contribuintes mais prováveis da sua campanha são os que já contribuíram uma vez. Os doadores têm um investimento no seu sucesso. Os candidatos devem tirar vantagem disso, contatando cada contribuinte várias vezes ao longo da campanha. Uma boa regra é contatá-los três vezes: uma no começo, uma no meio e outra no final, num apelo de emergência próximo ao dia da eleição. Se a campanha mantiver os doadores informados através de newsletters, é mais provável que eles contribuam mais de uma vez.

Não promova apenas eventos “grandes” ou “pequenos”

A melhor maneira de garantir que todos os doadores possíveis possam contribuir é ter eventos grandes e pequenos. Há um grande número de doadores que não podem pagar R$500,00 por um jantar de gala, mas podem participar de um churrasco de R$25,00. Ofereça eventos que caibam no orçamento de cada grupo de contribuintes.

Não promova eventos às sextas-feiras

É nas sextas à noite que seus contribuintes potenciais estão mais cansados, ou saindo da cidade ou querendo chegar logo em casa. Se o evento tem que ser num fim-de-semana, o melhor é o sábado à noite.

Não deixe os grandes contribuintes aos cuidados da equipe ou dos voluntários

Fazer com que a equipe ou os voluntários faça ligações para solicitar recursos de pequenos contribuintes ou para vender ingressos de eventos é ótimo, mas somente o Candidato deve ligar para os grandes contribuintes. Eles esperam um contato pessoal do Candidato e é provável que não contribuam a menos que sejam contatados pelo próprio Candidato.

Não esqueça do “follow-up”

Tenha o cuidado de sempre enviar um cartão de agradecimento a quem contribuiu para a campanha, não importa a quantia.

Obedeça a legislação

O TSE é rigoroso quanto ao registro e declaração dos recursos arrecadados para a campanha. O Comitê Financeiro é responsável pelo cumprimento dessas determinações.

Anúncios

Um comentário em “A arrecadação de recursos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.